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Contra entrega na Bulgária: o mercado onde pagar na porta é a regra

Por Lucas Reda · Atualizado em

A contra entrega é o meio de pagamento mais oferecido no e-commerce da Bulgária, onde se chama наложен платеж (nalozhen platezh). Segundo a ECDB, 80,3% das lojas online dão essa opção. Desde 1º de janeiro de 2026 a moeda é o euro, o que simplifica preço e cobrança para quem vende de fora.

Por que a Bulgária é diferente dos outros mercados

Em boa parte da Europa, a contra entrega é uma alternativa ao cartão. Na Bulgária, ela é o padrão. O levantamento da ECDB publicado em junho de 2025 coloca o país em segundo lugar entre os mercados europeus analisados em lojas que oferecem pagamento na entrega, com 80,3%, atrás só da Grécia. No perfil de mercado da ECDB, o pagamento na entrega aparece como o meio de pagamento número um do e-commerce búlgaro em 2025.

O nome local é наложен платеж. A expressão está nas condições gerais dos Correios da Bulgária, que aceitam encomendas "с наложен платеж или без наложен платеж", com ou sem contra entrega. Vocabulário próprio e presente até nos termos do correio estatal é sinal de hábito antigo, como mostramos em contra entrega na Europa.

Bulgária em números

IndicadorValorFonte
Lojas online que oferecem pagamento na entrega80,3%ECDB, 2025
Meio de pagamento mais oferecido pelas lojaspagamento na entregaECDB, perfil do mercado
Pessoas de 16 a 74 anos que compraram online nos últimos 12 meses51,2% (média da UE: 73,6%)Eurostat, 2025
Distância entre quem usa internet e quem compra online33 pontos percentuais (Romênia: 31)Eurostat, E-commerce statistics for individuals
Moedaeuro desde 1º/01/2026 (1 EUR = 1,95583 BGN)BCE, 2026

O que esses números dizem juntos

A Bulgária combina duas coisas que parecem opostas: um dos checkouts mais abertos ao pagamento na entrega da Europa e uma das menores taxas de compra online da União Europeia. Pelo Eurostat, só 51,2% das pessoas de 16 a 74 anos compraram algo pela internet em 2025. E a distância entre quem usa internet e quem compra online chegou a 33 pontos, destacada pelo Eurostat como particularmente alta, acima até da Romênia (31).

A leitura para quem vende é direta. Existe muita gente conectada que ainda não compra online, e, num mercado em que 80,3% das lojas aceitam pagar na porta, é por aí que essa gente tende a entrar. Para esse público, pedir cartão no primeiro contato com uma marca estrangeira é pedir demais. Tirar o наложен платеж do checkout, na Bulgária, significa abrir mão de boa parte do mercado.

O outro lado é a recusa. Não há dado público de recusa por país, mas é prudente supor que um público com pouca experiência de compra online, pagando só na porta, recuse mais. Antes de escalar, leia taxa de recusa no COD e rode a sua conta na calculadora de margem COD com um cenário de recusa pessimista.

O euro mudou a conta em 2026

Até 2025, vender na Bulgária significava converter preço para lev. Desde 1º de janeiro de 2026, o euro é a moeda oficial: segundo o Banco Central Europeu, a Bulgária passou a ser o 21º país da UE a usar a moeda única, com taxa de conversão fixada em 1,95583 lev por euro.

Na prática, isso simplifica três coisas para quem vende de fora:

  1. Preço. A mesma tabela em euro serve para Bulgária, Itália, Eslováquia e os outros países do euro, sem risco cambial entre eles.
  2. Cobrança na entrega. O valor que o entregador cobra na porta é o mesmo que aparece no anúncio, sem arredondamento de conversão.
  3. Conciliação. Na N1, o valor coletado é conciliado pedido a pedido e aparece no painel financeiro. Com a mesma moeda em vários mercados, a leitura fica mais simples.

Um cuidado: anúncios, criativos e páginas antigas com preço em lev precisam ser atualizados. O lev deixou de ser a moeda oficial, e preço na moeda antiga confunde o comprador na hora de pagar na porta.

Compliance: o que a Bulgária exige

Rótulo em búlgaro. A Lei de Alimentos da Bulgária (Закон за храните), art. 18, determina que a informação sobre alimentos oferecidos no país, inclusive a do rótulo, seja dada em búlgaro. É o uso nacional da faculdade prevista no Regulamento (UE) 1169/2011, art. 15. Alfabeto cirílico, portanto: planeje o rótulo ou a sobre-etiqueta desde o início.

Suplemento alimentar: registro na БАБХ, não só aviso. A Diretiva 2002/46/CE, art. 10, permite que cada país peça a comunicação do rótulo. A Bulgária foi além e adotou um regime de registro. Pela mesma Lei de Alimentos, art. 79, a autoridade competente é o diretor-executivo da Agência Búlgara de Segurança Alimentar (БАБХ, ou BFSA). Antes da primeira venda, o operador apresenta um pedido com o rótulo que será usado na Bulgária, o rótulo original quando o produto não é búlgaro e uma declaração de conformidade da composição. A data de entrada no mercado declarada no pedido não pode ser anterior a 14 dias do protocolo. O registro de serviços administrativos do governo informa que o serviço não é cobrado e que o resultado é a inclusão no registro público da agência.

Devolução e recusa. Vale a regra europeia: 14 dias para desistir de compra a distância, contados da posse física do produto, sem precisar justificar (Diretiva 2011/83/UE, art. 9). Há exceção para produtos lacrados que não podem ser devolvidos por razões de saúde ou higiene depois de abertos (art. 16, alínea e), o que interessa a quem vende suplemento e cosmético. A recusa na porta, típica do наложен платеж, não aparece na diretiva como forma de arrependimento: o pedido volta sem cobrança, e o custo logístico é da operação.

Isto é descrição de regra, não parecer jurídico. Confirme rótulo, registro e política de devolução com um especialista búlgaro antes de anunciar.

Com quem comparar

A Eslováquia tem oferta de pagamento na entrega quase igual (80,1% das lojas) e um público que já compra muito mais online. A Hungria é o contraste útil: lá o pagamento na entrega continua forte, mas já é feito mais com cartão do que em dinheiro. Os oito mercados estão em onde operamos na Europa.

Perguntas frequentes

A N1 entrega na Bulgária?

Sim. A Bulgária é um dos 8 mercados com contra entrega ativa na N1. Os pedidos saem dos nossos armazéns na Europa, com prazo típico de 24 a 48 horas após a expedição, e o valor coletado é conciliado pedido a pedido no seu painel financeiro.

Como se chama a contra entrega na Bulgária?

Наложен платеж (nalozhen platezh). É o termo usado pelo comércio e pelos Correios da Bulgária, que aceitam encomendas com ou sem esse serviço. Segundo a ECDB, 80,3% das lojas online búlgaras oferecem a opção.

A Bulgária já usa o euro?

Sim. O euro é a moeda oficial desde 1º de janeiro de 2026, segundo o Banco Central Europeu, com conversão fixada em 1,95583 lev por euro. Preço, cobrança na entrega e conciliação passam a ser feitos em euro.

Suplemento precisa de registro na Bulgária?

Sim. Pela Lei de Alimentos búlgara, art. 79, o operador pede o registro à Agência Búlgara de Segurança Alimentar (БАБХ) antes da primeira venda, com o rótulo em búlgaro e o original. A data de entrada no mercado não pode ser anterior a 14 dias do pedido. Valide com um especialista local.

Por que vender na Bulgária se tão pouca gente compra online?

Porque a distância entre quem usa internet e quem compra online é de 33 pontos, uma das mais altas da UE segundo o Eurostat. É um público conectado que ainda não compra, e o pagamento na entrega é o meio que ele aceita. O cuidado é calcular a margem com recusa alta.

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Fontes

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