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Contra reembolso na Espanha: quando vale vender com contra entrega

Por Lucas Reda · Atualizado em

Dá para vender na Espanha com contra entrega, que lá se chama contra reembolso, mas lá o pagamento na entrega pesa pouco nas compras online. Segundo o ONTSI, só 4,1% das compras online de 2024 foram pagas assim, contra 55,6% no cartão. Ainda assim, 26,1% dos compradores usaram a opção ao menos uma vez.

A resposta sem maquiagem

Das oito páginas de país deste site, esta é a que precisa começar pelo aviso. Na Espanha, o pagamento na entrega é minoritário. O estudo oficial Compras online en España, edição 2025, do ONTSI (observatório ligado ao governo espanhol, via Red.es), mediu como foram pagas as compras online de 2024:

Forma de pagamentoParcela das compras online (2024)
Cartão de crédito ou débito55,6%
Cartão pré-pago11,6%
PayPal ligado a conta bancária7,9%
Transferência bancária5,7%
Transferência imediata (Bizum e similares)5,4%
PayPal ligado a cartão5,2%
Contra reembolso4,1%
Pagamento pelo celular (Google Pay, Apple Pay etc.)2,7%

Fonte: ONTSI, *Compras online en España* (ed. 2025), gráfico 21. Pesquisa online com 3.000 pessoas de 16 a 74 anos.

Compare com a Polônia, onde 60,7% das lojas oferecem pagamento na entrega segundo a ECDB, ou com a Croácia, onde 42% dos compradores dizem usar o método. A Espanha joga em outra liga. O panorama completo está em COD por país na Europa.

O Banco de España confirma a direção por outro caminho: em 2024, 51% dos pagamentos online dos espanhóis foram com cartão, 26% com carteiras digitais e aplicativos, e 6% com pagamento imediato. Detalhe revelador: na metodologia do banco, a comida pedida pela internet e paga ao entregador conta como pagamento presencial, não online. O pagamento na porta nem entra na fotografia do comércio eletrônico.

Minoria não é zero

O mesmo estudo mostra outro número, e ele importa. Perguntados sobre todos os meios que usaram em 2024 (resposta múltipla), 26,1% dos compradores online espanhóis disseram ter pago contra reembolso ao menos uma vez. O cartão aparece com 91,7%.

A leitura: quase ninguém tem o contra reembolso como meio principal, mas um em cada quatro compradores recorre a ele quando a situação pede. E a situação típica é a mesma de outros mercados: loja que o comprador ainda não conhece, primeira compra. É exatamente o perfil do seller que chega de fora. Na Espanha, a contra entrega é um complemento para destravar esse comprador, não a base da operação.

O que torna a Espanha interessante mesmo assim

O tamanho. Segundo o ONTSI, o comércio eletrônico B2C espanhol somou 110,7 bilhões de euros em 2024 (alta de 11,5%), com 29,4 milhões de compradores online. Pelo Eurostat, 70,8% das pessoas de 16 a 74 anos compraram online em 2025, perto da média da UE (73,6%). E a moeda é o euro, a mesma de boa parte dos outros mercados da lista.

Dois comportamentos do comprador espanhol pesam na conta:

  • Promoção move compra. No mesmo estudo, 27,9% citam ofertas e promoções (Black Friday, cupons, períodos de rebajas) entre os motivos para comprar online.
  • Devolver é hábito. 35% dos compradores online devolveram algum produto em 2024 (40,3% na edição anterior).

Quando a Espanha faz sentido, e quando não

Faz sentido se você já tem criativo e atendimento em espanhol, quer testar o público espanhol com uma opção a mais no checkout e aceita que a maior parte das vendas virá de pagamento antecipado.

Não faz sentido como primeiro mercado de uma operação que depende do COD para converter. Nesse caso, comece por um país onde o pagamento na entrega é hábito e traga a Espanha depois. Antes de decidir, simule a margem na calculadora de margem COD e leia por que a recusa derruba a conta: com pouca gente escolhendo contra reembolso, cada recusa pesa mais.

Compliance na Espanha

Rótulo em espanhol. O art. 18 do Real Decreto 1334/1999, em vigor, determina que as indicações obrigatórias do rótulo de alimentos vendidos na Espanha estejam, no mínimo, em espanhol (a língua oficial do Estado).

Suplemento alimentar. O Real Decreto 1487/2009 exige a comunicação de colocação no mercado, prévia ou simultânea à primeira venda. Os produtos comunicados constam do registro sanitário (RGSEAA) da AESAN, a agência espanhola de segurança alimentar. Na Espanha, a segurança alimentar também passa pelas comunidades autônomas, então confirme com um especialista a qual autoridade a comunicação do seu produto deve ser enviada. É a regra espanhola que aplica o art. 10 da Diretiva 2002/46/CE.

Arrependimento de 14 dias. O consumidor pode desistir da compra a distância em 14 dias a partir da entrega (Diretiva 2011/83/UE, art. 9). Suplemento ou cosmético selado, aberto depois da entrega, pode ficar fora desse direito por razão de saúde ou higiene (art. 16, alínea e). A recusa de um pedido contra reembolso na porta não é um arrependimento formal: o pacote volta, nenhum valor foi pago e o frete fica com você. Com 35% dos compradores acostumados a devolver, deixe a política clara, em espanhol, antes do checkout.

Esta seção descreve regras públicas e não é parecer jurídico. Valide com um especialista espanhol.

A Espanha é um dos 8 mercados onde a N1 opera contra entrega.

Perguntas frequentes

A N1 entrega na Espanha?

Sim. A Espanha é um dos 8 mercados com contra entrega ativa na N1. Os pedidos saem dos nossos armazéns na Europa, com prazo típico de 24 a 48 horas após a expedição, e o valor coletado é conciliado pedido a pedido no seu painel financeiro.

Quantos espanhóis pagam contra reembolso?

Pouco. Segundo o ONTSI, 4,1% das compras online de 2024 foram pagas contra reembolso. Na pergunta de resposta múltipla, 26,1% dos compradores disseram ter usado a opção ao menos uma vez no ano.

Vale começar a operar COD na Europa pela Espanha?

Em geral, não. Na Espanha o pagamento na entrega responde por uma fatia pequena das compras online, segundo o ONTSI. Faz mais sentido como segundo ou terceiro mercado, com o contra reembolso como opção extra no checkout, e não como base da conversão.

O rótulo precisa estar em espanhol?

Sim. O art. 18 do Real Decreto 1334/1999 exige que as indicações obrigatórias do rótulo de alimentos vendidos na Espanha estejam, no mínimo, em espanhol. Outras línguas podem aparecer junto.

Quem recebe a comunicação de suplemento na Espanha?

O Real Decreto 1487/2009 exige comunicar a colocação no mercado antes ou no momento da primeira venda, e o produto passa a constar do registro sanitário da AESAN. A autoridade exata que recebe a comunicação depende do enquadramento do responsável pelo produto: confirme com um especialista.

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