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Contra entrega na Itália: como vender a partir do Brasil

Por Ariel Patrício · Atualizado em

Dá para vender na Itália com contra entrega, que lá se chama contrassegno. Segundo a ECDB, 52% das lojas online oferecem a opção. Mas, pelos dados da Netcomm, só 11% das compras online são pagas na entrega. Na Itália, o COD é o recurso para conquistar a confiança de quem ainda não conhece a sua marca.

A Itália é um dos maiores mercados entre os oito em que a N1 opera contra entrega, e também o que exige mais cuidado na leitura dos números. O contrassegno existe, é conhecido por todo mundo e continua no checkout de metade das lojas. Só que a maior parte dos italianos já paga antes de receber. Quem entra achando que vai encontrar uma Bulgária com mais habitantes erra a projeção.

O contrassegno em números

IndicadorValorFonte
Lojas online que oferecem pagamento na entrega52%ECDB, 2024
Compras online pagas na entrega ou no uso do serviço11%Netcomm, NetRetail 2025
Compras pagas em dinheiro vivo na entrega1,2%Netcomm, NetRetail 2025
Compras retiradas fora de casa (loja, ponto, locker)21,9%Netcomm, maio de 2026
Pessoas de 16 a 74 anos que compraram online nos últimos 12 meses56,2% (média da UE: 73,6%)Eurostat, 2025
MoedaeuroBCE

Duas leituras saem dessa tabela. A primeira: a ECDB mede lojas que oferecem a opção, e a Netcomm mede compras pagas assim. São métricas diferentes, e o guia de COD por país explica por que não se deve somar uma com a outra. A segunda: dentro dos 11% pagos na entrega, o dinheiro em espécie é quase nada. O comprador italiano que escolhe pagar na porta está cada vez mais pagando com cartão ou por outro meio no momento da entrega.

A Netcomm confirmou a tendência em maio de 2026: segundo o comunicado, os pagamentos em dinheiro na entrega seguem caindo rumo a níveis marginais. A carteira digital lidera, com 33,9% das compras.

Então por que oferecer contra entrega na Itália?

Porque a pergunta certa não é quantos italianos pagam na entrega, e sim quem. A Itália tem uma fatia grande da população que ainda não compra online: pelo Eurostat, 56,2% das pessoas de 16 a 74 anos compraram algo pela internet nos últimos 12 meses, bem abaixo da média europeia. Parte desse público ainda não confia em digitar o cartão numa loja que nunca viu.

Para uma marca vinda do Brasil, sem histórico no país, o contrassegno é o argumento que tira esse comprador do muro. Ele não substitui o cartão, o PayPal e a carteira digital: complementa. Trate o COD como porta de entrada. O objetivo é o primeiro pedido; na recompra, incentive o pagamento antecipado.

O custo disso é a recusa. Quem não pagou nada pode dizer "não quero" na porta, e cada recusa leva frete de ida, frete de volta e triagem. Antes de escalar anúncio, leia o que move esse número em taxa de recusa no COD e simule a sua margem na calculadora de margem COD, com a recusa que você espera e não a que você deseja.

Três ajustes que a Itália pede

  1. Checkout com as duas opções visíveis. Esconder o pagamento antecipado para empurrar o COD derruba a conversão de quem já compra com cartão. Mostre as duas.
  2. Prazo curto e dito com clareza. Com os pedidos saindo dos nossos armazéns na Europa, o prazo típico é de 24 a 48 horas após a expedição. Prazo curto reduz o tempo em que o cliente pode mudar de ideia antes de a encomenda chegar.
  3. Não prometa modalidade de entrega que o pedido não terá. Retirada fora de casa já responde por 21,9% das compras, segundo a Netcomm. Confirme na proposta quais modalidades estão disponíveis com contra entrega para o seu produto antes de anunciar.

Regras italianas que valem para o seu produto

Tudo em italiano. O Codice del Consumo, art. 9, exige que todas as informações destinadas ao consumidor sejam dadas "almeno in lingua italiana". Se o rótulo tiver várias línguas, o italiano precisa estar lá com visibilidade não inferior à das outras. Para alimentos, o Regulamento (UE) 1169/2011, art. 15, deixa cada país exigir a própria língua oficial.

Suplemento alimentar: notificação ao Ministero della Salute. A Diretiva 2002/46/CE, art. 10, permite que cada país exija a comunicação do rótulo na colocação no mercado. A Itália exige: pelo Decreto Legislativo 169/2004, a entrada no mercado depende da notificação do rótulo ao Ministero della Salute. A notificação é eletrônica desde julho de 2018 e, concluída, o produto entra no Registro nacional de suplementos, atualizado todo mês. O próprio ministério avisa que estar no registro não é autorização nem atestado de conformidade: a responsabilidade continua com quem coloca o produto no mercado.

Arrependimento e recusa. Na venda a distância, o consumidor italiano tem 14 dias, contados de quando recebe o produto, para desistir sem justificar (Diretiva 2011/83/UE, art. 9). Se desistir, o reembolso inclui o frete padrão de ida (art. 13). No contrassegno, a recusa na porta acontece antes da posse: não há dinheiro a devolver, mas a encomenda volta e o custo logístico fica com a operação. A diretiva não trata a recusa como forma de arrependimento, então deixe a política de devolução e de recusa escrita em italiano no checkout.

Isto descreve a regra; não é parecer jurídico. Valide rótulo, notificação e política de devolução com um especialista italiano antes de vender.

Onde a Itália se encaixa

Se o seu produto depende de um público que só compra pagando na porta, compare com a Bulgária, onde 80,3% das lojas oferecem a opção, e com a Eslováquia. Se você quer volume com um COD complementar, a Itália e a Espanha são o par natural. A lista completa está nos 8 mercados onde operamos.

Perguntas frequentes

A N1 entrega na Itália?

Sim. A Itália é um dos 8 mercados com contra entrega ativa na N1. Os pedidos saem dos nossos armazéns na Europa, com prazo típico de 24 a 48 horas após a expedição, e o valor coletado é conciliado pedido a pedido e aparece no seu painel financeiro.

Como se chama a contra entrega na Itália?

Contrassegno, ou pagamento alla consegna. Nos dados da Netcomm, 11% das compras online são pagas na entrega ou no uso do serviço, e só 1,2% em dinheiro vivo. O comprador que escolhe pagar na porta usa cada vez mais outros meios que não o dinheiro em espécie.

Se só 11% pagam na entrega, vale oferecer contrassegno?

Vale como complemento. Segundo a ECDB, 52% das lojas italianas ainda oferecem a opção, e ela pesa mais na primeira compra numa loja desconhecida. O cartão e a carteira digital devem continuar no checkout ao lado do COD.

Suplemento precisa de autorização para ser vendido na Itália?

Não é autorização: é notificação eletrônica do rótulo ao Ministero della Salute, prevista no Decreto Legislativo 169/2004. Concluída, o produto entra no Registro nacional de suplementos, que não equivale a atestado de conformidade. Valide o processo com um especialista regulatório italiano.

O rótulo pode ficar em inglês?

Não sozinho. O Codice del Consumo, art. 9, exige que as informações ao consumidor estejam pelo menos em italiano, e com visibilidade não inferior à das outras línguas quando houver mais de uma.

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Fontes

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