Produtos mais vendidos na Europa: o ranking oficial e o que vender com COD
· por Ariel Patrício · em Contra Entrega · 22 min de leitura

Roupa lidera em todos os 12 mercados, cosmético é o 3º item da lista e suplemento varia de 13% a 37% conforme o país. O ranking oficial, o que ele não diz e um método para validar produto antes de mandar estoque.
Os produtos mais vendidos online na Europa são roupas, calçados e acessórios: em 2024, 70% de quem comprou pela internet nos três meses anteriores levou algo dessa categoria, segundo o Eurostat. Depois vêm cosméticos (31%), casa e jardim (30%), artigos esportivos (26%) e medicamentos e suplementos (24%). Roupa lidera nos 12 mercados europeus da N1.
Atualizado em 8 de outubro de 2026.
Quem pesquisa "produtos mais vendidos na Europa" encontra listas de "produtos vencedores" sem fonte, páginas de marketplace chinês e rankings que ninguém sabe de onde saíram. Este texto faz o contrário. Parte do único levantamento oficial que pergunta a europeus o que eles compram online, a pesquisa anual do Eurostat sobre uso de internet, e cruza com relatórios públicos de associações de e-commerce.
Depois, coloca uma camada prática por cima: o que dessas categorias faz sentido para quem vende com contra entrega e estoque local, o que o produto brasileiro vende de verdade por lá e como testar um produto antes de mandar um lote para a Europa.
Este post usa só dados públicos, com fonte. Não usa nenhum dado interno da N1 sobre o que vende ou deixa de vender. Quando não há dado público, o texto diz isso.
Quais são os produtos mais vendidos online na Europa?
Roupa, calçado e acessórios são a categoria que mais gente compra online na União Europeia, com folga. A tabela abaixo traz o ranking de bens físicos da tabela isoc_ec_ibgs do Eurostat, com dados de 2024, o ano mais recente em que o Eurostat perguntou sobre bens físicos. O módulo de 2025 da pesquisa detalhou serviços (ingressos, transporte, streaming), não produtos.
| Posição | Categoria (Eurostat) | % de quem comprou online nos últimos 3 meses (UE, 2024) |
|---|---|---|
| 1 | Roupas (incluindo esportivas), calçados ou acessórios | 70,3% |
| 2 | Entregas de restaurantes e fast-food | 32,9% |
| 3 | Cosméticos, beleza ou bem-estar | 31,3% |
| 4 | Móveis, acessórios para casa ou jardim | 29,9% |
| 5 | Artigos esportivos (sem roupa esportiva) | 25,6% |
| 6 | Livros, revistas ou jornais impressos | 24,4% |
| 7 | Medicamentos ou suplementos alimentares, como vitaminas | 24,3% |
| 8 | Computadores, tablets, celulares ou acessórios | 22,8% |
| 9 | Outros bens físicos | 20,6% |
| 10 | Brinquedos ou artigos para crianças | 20,1% |
| 11 | Produtos de limpeza ou higiene pessoal | 19,0% |
| 12 | Alimentos ou bebidas de lojas ou kits de refeição | 18,3% |
| 13 | Eletrônicos de consumo ou eletrodomésticos | 17,9% |
| 14 | Bicicletas, veículos ou peças | 9,2% |
O European E-commerce Report 2025, da Ecommerce Europe com a EuroCommerce, reproduz o mesmo ranking na página 15 e acrescenta um dado útil para quem vende de fora: em 2024, 20% dos compradores online da UE compraram de vendedores de fora do bloco, contra 83% que compraram de vendedores do próprio país.
Como ler este número
A métrica é a parcela de compradores, não a parcela do faturamento. "70%" quer dizer que 7 em cada 10 pessoas que compraram online nos três meses anteriores compraram ao menos uma peça de roupa, calçado ou acessório. Não diz quanto gastaram, quantas unidades levaram nem quanto da receita do e-commerce europeu vem de moda.
Três outros cuidados:
- A categoria é larga. "Roupa, calçado ou acessório" junta camiseta de fast fashion, tênis de marca e bolsa. "Medicamentos ou suplementos" mistura farmácia online com vitamina.
- A base são compradores online, não a população. Em 2025, segundo a tabela isoc_ec_ib20, 73,6% das pessoas de 16 a 74 anos na UE compraram algo online em 12 meses. Em países onde menos gente compra online, a mesma porcentagem representa menos gente.
- Não existe ranking oficial de "produto mais vendido". Ninguém publica, com método aberto, o SKU ou o nicho que mais vende na Europa. Lista que promete isso está vendendo outra coisa.
A página do Eurostat E-commerce statistics for individuals resume o quadro de 2025: 78% dos usuários de internet da UE compraram bens ou serviços online, contra 62% em 2015.
O ranking muda de país para país?
Muda, e mais do que a média europeia deixa ver. Roupa é a primeira categoria nos 12 mercados europeus onde a N1 opera contra entrega, mas cosméticos, suplementos, eletrônicos e casa variam muito. A tabela mostra a mesma métrica do Eurostat (parcela de quem comprou online nos três meses anteriores, 2024) e, na última coluna, quantas pessoas compraram online em 12 meses em 2025.
| País | Roupa e calçado | Cosméticos | Medicamentos e suplementos | Celulares e informática | Casa e jardim | Esporte | Compraram online em 12 meses (2025) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Polônia | 77,3% | 40,1% | 19,8% | 11,7% | 21,3% | 17,9% | 69,7% |
| Espanha | 71,7% | 36,6% | 22,5% | 29,6% | 33,9% | 33,9% | 70,8% |
| Portugal | 73,1% | 31,4% | 22,0% | 28,4% | 28,0% | 28,1% | 60,5% |
| Romênia | 78,6% | 34,5% | 16,7% | 14,4% | 9,5% | 20,8% | 60,3% |
| Hungria | 63,7% | 30,2% | 27,2% | 23,1% | 22,8% | 22,1% | 67,7% |
| Bulgária | 79,0% | 32,7% | 19,3% | 20,7% | 14,5% | 32,7% | 51,2% |
| Croácia | 76,0% | 26,5% | 12,8% | 20,3% | 22,8% | 21,3% | 61,7% |
| Grécia | 75,6% | 27,6% | 36,6% | 23,4% | 12,6% | 36,2% | 68,0% |
| Alemanha | 72,6% | 29,3% | 30,8% | 25,4% | 34,3% | 28,4% | 81,4% |
| Itália | 64,0% | 26,3% | 23,0% | 22,2% | 38,1% | 21,7% | 56,2% |
| Eslováquia | 69,5% | 28,0% | 34,1% | 15,0% | 25,2% | 24,5% | 78,8% |
| República Tcheca | 60,4% | 31,6% | 27,2% | 22,4% | 20,3% | 30,4% | 83,7% |
| Média da UE | 70,3% | 31,3% | 24,3% | 22,8% | 29,9% | 25,6% | 73,6% |
Fonte: Eurostat, tabelas isoc_ec_ibgs (2024) e isoc_ec_ib20 (2025), extraídas em 8 de outubro de 2026. São dados de pesquisa amostral: diferenças de 2 ou 3 pontos entre países não devem ser lidas como diferença real.
O que salta da tabela:
- Polônia é o mercado do cosmético. 40,1% dos compradores online poloneses compraram cosmético nos três meses anteriores, nove pontos acima da média da UE. É o maior índice entre os 12.
- Romênia e Bulgária concentram em roupa. Quase 8 em cada 10 compradores online compraram moda, e casa e jardim fica muito abaixo da média (9,5% na Romênia). São também os países onde menos gente compra online. Uma leitura possível, que o dado sozinho não prova: onde o e-commerce é mais jovem, a compra online ainda gira em torno de itens baratos e fáceis de trocar.
- Suplemento e medicamento é forte na Grécia, Eslováquia e Alemanha (36,6%, 34,1% e 30,8%) e fraco na Croácia e Romênia (12,8% e 16,7%). Como a categoria inclui farmácia online, parte dessa diferença pode vir da regra local de venda de medicamento pela internet, e não do apetite por vitamina.
- Itália, Alemanha e Espanha compram casa e móveis online bem acima da média. Na Grécia e na Romênia a categoria quase não aparece.
- Celular e informática é fraco na Polônia (11,7%) no recorte de três meses. Não leia isso como "polonês não compra eletrônico": no recorte de 12 meses do relatório polonês abaixo, eletrônicos aparecem em terceiro.
Para cruzar esse quadro com o meio de pagamento, veja COD por país na Europa e o Mapa do COD na Europa 2026. Há páginas com contexto de mercado de Polônia, Espanha, Itália, Hungria, Bulgária, Croácia, Eslováquia e República Tcheca.
O que dizem os relatórios nacionais?
Os relatórios de associações confirmam o desenho do Eurostat e dão mais detalhe, mas usam métodos próprios e não são comparáveis entre si. O mais completo entre os 12 mercados é o polonês.
O relatório E-commerce w Polsce 2026, da Gemius com Polskie Badania Internetu, IAB Polska e a universidade ALK, ouviu 1.874 internautas poloneses de 15 anos ou mais entre 14 e 22 de julho de 2026. Entre quem comprou online em 12 meses:
- moda (roupa, calçado e acessórios) foi comprada por 82%;
- cosméticos por 64%;
- eletrônicos por 57%;
- livros e multimídia por 54%;
- produtos de saúde por 53%;
- alimentos e produtos de limpeza por 52%.
O mesmo relatório mostra o tamanho da concorrência asiática: 56% dos compradores online poloneses dizem ter comprado em Temu, AliExpress ou Shein em 12 meses, e 74% de quem comprou nessas plataformas no último mês levou moda. Para quem pensa em vender roupa barata na Polônia, isso é o preço de referência do cliente. O relatório também registra que 13% pagaram ao menos uma compra "za pobraniem", na entrega, em 12 meses.
Na Romênia, a associação de lojas online ARMO não publica ranking de categorias no relatório europeu, mas diz, na página 80, que as plataformas de fora da UE pressionam o varejo local principalmente em moda e eletrônicos. É a mesma mensagem da Polônia: nas categorias mais compradas, o concorrente é global e o preço é baixo.
Para os outros mercados, não encontramos ranking público recente de categorias com método descrito. Nesses casos, o Eurostat é a melhor fonte disponível.
Qual categoria combina com contra entrega e estoque local?
Nenhuma categoria é boa ou ruim para COD por definição; o que decide é a combinação de ticket, peso, chance de recusa e custo de conformidade. A tabela abaixo é um critério de análise, não um dado: ela organiza as perguntas que fazemos antes de olhar qualquer produto. As faixas de ticket e peso são qualitativas e servem só para comparar categorias entre si.
| Categoria | Ticket típico | Peso e volume | Risco de recusa ou devolução | Regra que pesa | Leitura para COD com estoque local |
|---|---|---|---|---|---|
| Roupa e calçado | Baixo a médio | Leve | Alto: tamanho errado e troca | Etiqueta de composição têxtil; direito de arrependimento de 14 dias | Funciona com tabela de medidas boa e poucos tamanhos; fast fashion asiática define o preço |
| Cosméticos e cuidados capilares | Baixo a médio | Leve, mas líquido | Médio: arrependimento e expectativa | Pessoa responsável na UE, notificação no CPNP, relatório de segurança | Bom encaixe se a conformidade estiver resolvida antes do lote |
| Suplementos | Médio | Leve | Médio a alto se a promessa for exagerada | Notificação por país, rótulo no idioma local, só alegação autorizada | Encaixe clássico do COD no Leste, com copy honesta |
| Celulares, acessórios e eletrônicos | Médio a alto | Leve a médio | Médio: defeito e incompatibilidade | Marcação CE, diretivas de baixa tensão, compatibilidade eletromagnética ou rádio | Só com documentação técnica real; o ticket alto aumenta o valor em risco por recusa |
| Casa e jardim | Médio | Pesado ou volumoso | Médio | Segurança geral (GPSR) e regras específicas por produto | O frete de ida e de volta come a margem; prefira itens compactos |
| Artigos esportivos e fitness | Médio | Variável | Médio | GPSR; CE se tiver parte elétrica | Bom para acessórios compactos; ruim para equipamento pesado |
| Brinquedos e infantil | Baixo a médio | Leve a médio | Médio | Diretiva de segurança de brinquedos, marcação CE | Categoria muito fiscalizada; só com fornecedor que entrega ensaio |
| Alimentos (café, açaí) | Baixo | Médio | Baixo a médio | Rotulagem de alimentos; regras de origem e, no café, a lei antidesmatamento | Ticket baixo demais para COD na maioria dos casos |
Três ideias por trás da tabela:
- Ticket baixo e COD não combinam bem. No contra entrega você paga frete de ida em todo pedido enviado e perde esse frete quando o cliente recusa. Com um produto de 15 €, uma recusa apaga o lucro de vários pedidos entregues. A conta completa está em como calcular a margem no COD.
- Peso e volume pesam duas vezes. O frete de ida é caro, e o de volta, na recusa, também.
- Conformidade é custo fixo. Notificar um cosmético ou certificar um eletrônico custa o mesmo para 100 ou para 10.000 unidades. Produto de teste com conformidade cara só faz sentido se o plano for escalar.
Que produto brasileiro vende na Europa?
O produto brasileiro com mais chance realista na Europa é o que já tem demanda local comprovada e uma rota regulatória clara: cosmético capilar é o caso mais forte; café, açaí e chinelo existem, mas com ressalvas grandes. Ninguém publica "os produtos brasileiros mais vendidos na Europa" no varejo online. O que existe são dados de exportação e de empresas, que contam parte da história.
Cosméticos capilares
É a categoria brasileira com o dado mais forte. Segundo a ABIHPEC, o setor de beleza exportou US$ 1,061 bilhão em 2025, alta de 20,1%, e produtos para cabelo foram o principal motor, com US$ 301 milhões (alta de 29,8%). Cerca de 80% das exportações ainda vão para a América Latina, com a Argentina na frente; o comunicado não traz um ranking europeu. Do lado da demanda, cosmético é a terceira categoria mais comprada online na UE e passa de 40% na Polônia.
A barreira é regulatória. O Regulamento (CE) 1223/2009 exige uma pessoa responsável estabelecida na UE, relatório de segurança, notificação no portal CPNP antes da venda e rótulo no idioma do país. Ingrediente permitido no Brasil pode ser proibido ou restrito na UE. O relatório Safety Gate 2025 da Comissão mostra o tamanho do problema: cosméticos foram 36% dos 4.671 alertas de produto perigoso em 2025, e uma única fragrância proibida desde 2022, o BMHCA (lilial), gerou 1.278 alertas.
Açaí
Açaí em polpa congelada exige cadeia de frio, e isso o tira da maioria das operações de COD com armazém comum. Em pó ou em cápsula, vira outra coisa: se for vendido como suplemento, entra nas regras de notificação e alegação. A autoridade alimentar finlandesa informa que o fruto do açaí não é considerado novo alimento na UE, mas extrato e forma de uso podem ter enquadramento diferente: confira no catálogo de novos alimentos da Comissão. E promessa de emagrecimento com açaí não tem alegação autorizada. O post sobre vender nutra na Europa e o guia de suplementos na Europa detalham o que pode ser dito.
Café
A Europa compra muito café do Brasil, mas compra o grão, não o pacote pronto. No ano-safra 2025/26, segundo o Cecafé, o Brasil exportou 38,5 milhões de sacas, e a Alemanha virou o maior comprador (5,2 milhões de sacas, 13,5% do total), com Itália e Bélgica também no topo. O café torrado e moído foi só 0,1% do volume. Quem torra é a indústria europeia. Café brasileiro no varejo online europeu é nicho de especial, com ticket baixo para COD.
Há ainda o regulamento antidesmatamento (Regulamento (UE) 2023/1115), que cobre café. Segundo a Comissão Europeia, ele passa a valer em 30 de dezembro de 2026 para operadores médios e grandes e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenos. Quem coloca café no mercado da UE vai precisar de diligência sobre a origem.
Chinelos e moda praia
A Havaianas mostra que existe demanda europeia por chinelo brasileiro. No release de resultados do 4º trimestre de 2025, a Alpargatas informa 9,2 milhões de pares vendidos na Europa em 2025, alta de 8%, e receita líquida 14% maior no continente. Só que é uma marca com distribuição própria. Revender a marca exige compra de canal autorizado, e cópia é falsificação. O chinelo genérico "estilo brasileiro" disputa preço com a Ásia, tem ticket baixo e venda concentrada no verão.
E o acordo Mercosul–UE?
O acordo comercial está em vigor provisório desde 1º de maio de 2026 e reduz tarifas para muitos produtos brasileiros, desde que cumpram as regras de origem. Isso ajuda principalmente quem manda estoque em lote para um armazém na UE, não quem envia pacote a pacote. O detalhe está no post sobre o acordo Mercosul–União Europeia no e-commerce, e a cobrança sobre remessas pequenas, no post sobre a taxa de 3 euros.
Como validar um produto antes de mandar estoque?
Valide em cinco etapas, da mais barata para a mais cara: demanda pública, conformidade, conta unitária, tendência e teste real com volume pequeno. Só a última custa dinheiro de verdade.
1. Demanda: a categoria existe no país?
Comece pela tabela por país acima. Se a categoria do seu produto está bem abaixo da média no país-alvo (casa e jardim na Romênia, por exemplo), você vai educar o mercado, e isso custa anúncio.
2. Conformidade: quanto custa poder vender?
Liste o que o produto exige antes do primeiro pedido: notificação de cosmético ou suplemento, marcação CE, etiqueta têxtil, rótulo no idioma local. Todo produto precisa ainda de um operador econômico na UE pelo GPSR, assunto do post sobre GPSR e pessoa responsável na UE. Se a conta da conformidade não fecha para um lote de teste, o produto não serve para teste.
3. Conta unitária: o produto sobrevive à recusa?
Rode os números na calculadora de COD com premissas conservadoras. Exemplo com números redondos, hipotético, só para mostrar a mecânica:
- preço na porta: 39 €;
- custo do produto: 8 €;
- frete por pedido enviado: 7 €;
- anúncio por pedido gerado: 9 €;
- de 100 pedidos gerados, 80 confirmam e 60 são entregues e pagos.
Receita: 60 × 39 = 2.340 €. Anúncio: 100 × 9 = 900 €. Produto: 60 × 8 = 480 €. Frete: 80 × 7 = 560 €. Lucro: 400 €, ou 4 € por pedido gerado. Agora baixe as entregas de 60 para 52: a receita cai para 2.028 €, o produto para 416 €, e o lucro despenca para 152 €. Oito pacotes recusados a mais tiram quase dois terços do lucro. Se o seu produto só fecha a conta no cenário otimista, ele não fecha.
4. Recusa esperada: qual número usar?
Não há média europeia pública de recusa no COD. Há dados pontuais, como o da Romênia citado no post sobre taxa de recusa no COD, e a sua própria medição. Use três cenários (otimista, base e ruim) e decida só pelo ruim. A categoria muda o cenário: moda tem troca de tamanho, nutra tem arrependimento quando a promessa foi grande.
5. Tendência: o interesse cresce ou cai?
O Google Trends serve para ver direção e sazonalidade, nunca volume. Pesquise o termo no idioma local, filtre o país, olhe cinco anos e compare com um termo vizinho. Um pico isolado costuma ser viral passageiro. Uma curva que sobe todo ano no mesmo mês indica sazonalidade: planeje o estoque para ela, como no caso da Black Friday 2026 na Europa e no Golfo.
6. Teste real com volume pequeno
O teste que vale é com pedido de verdade e entrega de verdade. Dois caminhos de baixo risco:
- Como afiliado, rodando ofertas que já têm estoque e conformidade na Europa, do catálogo de produtos. Você testa país, criativo e CPA sem comprar lote.
- Com um lote piloto pequeno nos nossos armazéns na Europa, num país só, com critério de parada definido antes: CPA máximo, taxa de confirmação mínima e entrega mínima.
Captar pedido de produto que ainda não existe em estoque, para "ver se vende", gera atraso, cancelamento e reclamação, e no COD vira recusa. Evite. Se você ainda não tem fornecedor, o post sobre fornecedor contra entrega na Europa compara os modelos, e o de vender na Europa sem estoque mostra os caminhos sem lote próprio.
Quais são os erros mais comuns na escolha de produto?
O erro mais caro é escolher pelo que viralizou e descobrir a regra europeia depois de o lote chegar. Os que mais vemos em quem começa:
- Produto viral da China sem CE. Eletrônico, brinquedo e acessório com bateria precisam de marcação CE e de documentação técnica que sustente a marcação. Brinquedos e aparelhos elétricos foram, respectivamente, 16% e 11% dos alertas do Safety Gate em 2025. Selo CE impresso sem ensaio por trás não protege ninguém. O que é a marcação está explicado no portal A sua Europa.
- Promessa de saúde. Suplemento e cosmético não tratam doença. "Cura a queda de cabelo", "emagrece 10 kg" e "acaba com a dor" são proibidos pela Diretiva 2002/46/CE e pelas regras de alegação, e derrubam o anúncio antes da lei.
- Ler o ranking como faturamento. 70% de compradores de roupa não quer dizer que moda é o melhor negócio para você. Quer dizer que a concorrência é a maior.
- Moda sem tabela de medidas. O consumidor da UE tem 14 dias para desistir de compra a distância, pela Diretiva 2011/83/UE. Em roupa, tamanho errado vira devolução ou recusa. Calçado ainda exige etiqueta de materiais pela Diretiva 94/11/CE.
- Copiar a fórmula brasileira. Ingrediente aceito pela Anvisa pode estar proibido na UE, e a dose máxima de vitaminas e minerais varia por país.
- Marca de terceiro sem autorização. Revender marca conhecida sem nota de canal autorizado é risco de apreensão e de bloqueio de conta de anúncio.
- Ignorar o canal. No TikTok Shop, a lista de países e as exigências de cadastro são outras; veja o post sobre TikTok Shop na Europa.
O que isso muda para quem vende com contra entrega e estoque local?
O ranking oficial diz onde está a demanda; a operação decide se você consegue atendê-la com lucro. Com estoque nos nossos armazéns na Europa, o pedido sai do próprio continente, o prazo encurta e a remessa não depende da cobrança sobre pacotes vindos de fora da UE. Isso não faz um produto ruim virar bom, mas tira do caminho dois motivos clássicos de recusa no COD: entrega demorada e cobrança surpresa na porta.
Na prática, a N1 opera contra entrega em 16 mercados, 12 na Europa e 4 no Golfo, com repasse em D+2. Para produto que exige registro, como suplemento e cosmético, a N1 oferece responsável na UE para registro e notificação quando necessário, pelas áreas de Consultoria e Produção. Isso não é o mesmo que ser o operador econômico do GPSR: esse papel continua sendo do seller ou de quem ele contratar para isso.
Perguntas frequentes
Quais são os produtos mais vendidos na Europa?
Pelo Eurostat, a categoria que mais gente compra online na UE é roupa, calçado e acessórios: 70% dos compradores online em 2024. Depois vêm entregas de restaurante (33%), cosméticos (31%), casa e jardim (30%), esporte (26%) e medicamentos e suplementos (24%). Não existe ranking oficial por produto individual.
Quais são os produtos mais vendidos online na Europa em 2026?
O dado oficial mais recente sobre bens físicos é de 2024, porque o módulo de 2025 do Eurostat detalhou serviços. Relatórios nacionais de 2026, como o polonês da Gemius, mantêm moda e cosméticos no topo. Lista de "produtos vencedores de 2026" sem fonte é opinião.
Quais produtos brasileiros vendem mais na Europa?
Em valor, o Brasil vende à Europa principalmente commodities, como café em grão. No varejo, os casos com dado público são cosméticos capilares, cujas exportações cresceram 29,8% em 2025, e a Havaianas, que vendeu 9,2 milhões de pares na Europa no mesmo ano. Alimento e cosmético têm regras próprias na UE.
O que vender na Europa com contra entrega?
Produto de ticket médio, leve, com baixo risco de troca e conformidade resolvida antes do lote. Cosmético notificado, suplemento com copy honesta e acessórios compactos costumam encaixar melhor que móveis pesados ou produtos de 10 €. Teste a conta na calculadora de COD com cenário ruim de recusa.
Preciso de registro para vender cosmético ou suplemento na Europa?
Sim. Cosmético precisa de pessoa responsável na UE, relatório de segurança e notificação no CPNP antes da venda. Suplemento precisa de notificação nacional em cada país e rótulo no idioma local. Valide com um especialista regulatório antes de produzir.
Posso vender produto da China na Europa?
Pode, desde que cumpra as mesmas regras que um produto europeu: marcação CE quando exigida, documentação técnica, operador econômico na UE pelo GPSR e rótulo correto. O problema não é a origem, é o produto sem documentação. O Safety Gate registrou 4.671 alertas de produto perigoso em 2025.
Próximo passo
Se você quer testar sem comprar lote, veja as ofertas com estoque na Europa no catálogo de produtos. Se já tem um produto e quer levá-lo para os nossos armazéns na Europa, fale com um especialista e solicite uma proposta. A conformidade do produto continua sendo de quem o coloca no mercado.
Fontes
- Internet purchases by type of goods, isoc_ec_ibgs, Eurostat, dados de 2024, acessado em 2026-10-08.
- Internet purchases by individuals, isoc_ec_ib20, Eurostat, dados de 2025, acessado em 2026-10-08.
- E-commerce statistics for individuals, Eurostat Statistics Explained, acessado em 2026-10-08.
- European E-commerce Report 2025, versão light, Ecommerce Europe e EuroCommerce, p. 15 e p. 80, acessado em 2026-10-08.
- E-commerce w Polsce 2026, Gemius, PBI, IAB Polska e ALK, acessado em 2026-10-08.
- Safety Gate 2025, Comissão Europeia, acessado em 2026-10-08.
- Regulamento (CE) 1223/2009, produtos cosméticos, EUR-Lex, acessado em 2026-10-08.
- Diretiva 2002/46/CE, suplementos alimentares, EUR-Lex, acessado em 2026-10-08.
- Diretiva 2011/83/UE, direitos dos consumidores, EUR-Lex, acessado em 2026-10-08.
- Diretiva 94/11/CE, rotulagem de calçado, EUR-Lex, acessado em 2026-10-08.
- Regulamento (UE) 2023/1115, produtos livres de desmatamento, EUR-Lex, e página da Comissão Europeia sobre o regulamento, acessados em 2026-10-08.
- Marcação CE, portal A sua Europa, acessado em 2026-10-08.
- Setor de Beleza e Cuidados Pessoais bate recorde de exportações, ABIHPEC, 19/01/2026, acessado em 2026-10-08.
- Brasil exporta 38,5 mi de sacas de café na safra 2025/26, Cecafé, acessado em 2026-10-08.
- Divulgação de resultados 4T25, Alpargatas, março de 2026, acessado em 2026-10-08.
- Frequently asked questions regarding novel foods, Autoridade Alimentar da Finlândia, e Novel Food status Catalogue, Comissão Europeia, acessados em 2026-10-08.